Livros de ficção sobre violência contra mulheres

*esse texto possui gatilhos de agressão contra mulheres e relacionamentos abusivos 

Fiquei um tempão pensando se fazia resenha sobre esses os livros, Dias Perfeitos e  Você. Já comecei e desisti. Sabe por que, principalmente?  Porque violência contra mulheres está longe de ser um enredo fictício. Foram livros que me deixaram angustiada, chateada e fiquei extremamente mal lendo. Mesmo sem ter passado nem perto de situações como de relacionamento abusivo ou agressivo, a empatia com as personagens e saber que existem mulheres reais que passam por situação semelhante TODOS OS DIAS, é impossível não se sensibilizar.

Ambas histórias tem semelhanças, as personagens querem ser escritoras, são livres, até que por acaso conhecem um homem, sem nenhuma intenção, mas eles acabam tornando-se obsessivos por elas. As personagens acabam sendo torturadas por homens que, em algum momento, chegaram a confiar. E por mais que algumas passagens descritas sejam surreais, a situação que permeia as histórias pode ser a mesma que você, sua amiga, sua mãe vivem.

Eu terminei o livro do Raphael Montes e da Caroline Kepnes com um gosto amargo na boca, podia ser só ressaca literária, mas na verdade, em dias tão sombrios como esses que nos esperam, era apenas desgosto com a vida mesmo.

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Dias Perfeitos de Raphael Montes é classificado como romance (cêis tão loucos né?!!!)  O protagonista do livro é Téo, um jovem e solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e dissecar cadáveres nas aulas de anatomia.  Num churrasco a que vai com a mãe contrariado, Téo conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Clarice está escrevendo um road movie de nome “Dias perfeitos”. O texto ainda está cru, mas ela já sabe a história que quer contar: as desventuras de três amigas que viajam de carro pelo país em busca de experiências amorosas. Téo fica viciado (OBCECADO é a palavra) em Clarice: quer desvendar aquela menina diferente de todas que conheceu. Começa, então, a se aproximar de forma insistente. Diante das seguidas negativas, opta por uma atitude extrema: desfere um golpe na cabeça dela e, ato contínuo, sequestra a garota. Elabora então um plano para conquistá-la: coloca-a sedada no banco carona de seu carro e inicia uma viagem pelas estradas do Rio de Janeiro — a mesma viagem feita pelas personagens do roteiro de Clarice.

Passando por cenários oníricos, entre os quais um chalé em Teresópolis administrado por anões e uma praia deserta e paradisíaca em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita: Téo a obriga a escrever a seu lado e está pronto para sedá-la ou prendê-la à menor tentativa de resistência. Clarice oscila entre momentos de desespero e resignação, nos quais corresponde aos delírios conjugais de seu sequestrador. O efeito é tão mais perturbador quanto maior a naturalidade de Téo. Ele fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas decisões com lógica impecável.

A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante — e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos tem clima sombrio e claustrofóbico, personagens em tensão permanente e diálogos afiados. Angustiante e repleto de reviravoltas, o livro é uma história de amor (ISSO NÃO TEM NADA A VER COM AMOR!) obsessivo e paranoico que consolida Raphael Montes como uma das mais gratas surpresas da literatura brasileira.

Acho que depois do Jantar Secreto e esse livro, eu não sei se eu considero o Raphael Montes um gênio ou um louco, sério mesmo. Nessa sinopse dá pra ter uma boa ideia do enredo, mas a história toda é repleta de um surrealismo, impressionante.  Não gostei do final por motivos óbvios que vocês também não irão gostar, mas porque se formos trazer mais realidade para a história, é difícil não ter nenhuma ponta solta.

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Você,  de Caroline Kepnes  conta a história de uma aspirante a escritora linda e atraente entra na livraria do East Village onde Joe Goldberg trabalha, ele faz o que (quase) qualquer pessoa interessada faria: pesquisa no Google o nome que consta em seu cartão de crédito.

Para a sorte de Joe, existe apenas uma Guinevere Beck na cidade de Nova York, e ela posta incessantemente nas redes sociais tudo o que ele precisa saber: que ela é apenas Beck para os amigos, que frequentou a Brown University, mora na Bank Street e estará em um bar no Brooklyn esta noite – o lugar perfeito para um encontro ao acaso.

Ela ainda não sabe, mas é a mulher perfeita para Joe. E quando Joe começa a orquestrar obsessivamente uma série de eventos para garantir que Beck caia em seus braços, ela acaba não resistindo às suas investidas.

Passando do papel de stalker para namorado, Joe transforma-se no homem perfeito para Beck, ao mesmo tempo em que remove sorrateiramente todos os obstáculos no caminho dos dois. Mas também há muito mais em Beck do que sua fachada perfeita, e o relacionamento mutuamente obsessivo do casal rapidamente se desdobra em um turbilhão de consequências mortais.

Um relato devastador de uma farsa implacável, Você é um suspense arrebatador sobre vulnerabilidade e manipulação na era das redes sociais, capaz de provar que o amor  (de novo, não é amor!) também pode ferir. E muito.

Primeiro, esse livro virou uma série que chega 26 de dezembro no Netflix com o fiel nome de You, e é protagonizada pelo eterno Dan de Gossip Girl, eu não sabia disso e descobri pesquisando pra esse post, vi o trailer e achei bem próximo ao livro. Mas voltando pra resenha. A sinopse consegue ser um pouco melhor que o livro, porque além dos motivos óbvios, o título não é por acaso, a palavra você, para falar sobre a Beck é usada incansavelmente. Coisas surreais também acontecem, mas esse livros tem momentos de puro tédio, aliás achei que o Dan será um ótimo Joe.

Agora, se eu recomendo os livros?  Sinceramente não consigo decidir. Fico achando terrível um assunto tão sério quanto esse ser entretenimento literário, mas também acredito que não podemos varrer as agressões contra as mulheres para debaixo do tapete. Então não tenha apenas estômago forte. Nós, mulheres, precisamos de força todos os dias. 

Dois livros ótimos! – Suspense

Saudade de escrever sobre livros!

Aposto que você já leu aquele famoso clichê: Mulher com algum trauma/problema psicológico + bebidas alcoólicas + observou/viveu um fato que ninguém mais viu e desconfiam da sanidade dela

Assim é o best seller a Garota no Trem e assim desenrolam os livros A Mulher na Janela e a Mulher na Cabine 10 .

downloadAnna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. “A Mulher Na Janela” é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

A Mulher na Janela, é o primeiro livro do A. J. Finn, publicado aqui no Brasil pela Editora Arqueiro. A Anna é uma ma psicóloga infantil, bem sucedida, mas devido a um fato, ela desenvolveu agorafobia que é uma condição que à impede de fazer coisas simples, como sair de casa. Ela passa parte do seu tempo em um fórum online sobre essa fobia e assim vamos descobrindo a sua história. A outra metade do seu tempo, a Anna passa bebendo Merlot (huuuuum) e observando a vida alheia, assim conhecemos os Russells que fazem parte da trama central do livro.

A história é narrada pela Anna e faz a gente duvidar de todos os personagens. A situação é extremamente conflitante, fiquei ansiosa para descobrir logo o final, mas antes disso uma revelação ainda mais surpreendente, sério! Esse fato me chocou mais que o final em si. É um livro que desperta emoções, bem escrito e não decepciona!

download (1)A mulher na cabine 10 estabelece de vez Ruth Ware como um dos grandes nomes do suspense contemporâneo. No livro, uma jornalista de turismo tenta se recuperar de um trauma quando é convidada para cobrir a viagem inaugural de um luxuoso navio. Mas, o que parecia a oportunidade perfeita para se esquecer dos recentes acontecimentos acaba se tornando um pesadelo quando, numa noite durante o cruzeiro, ela vê um corpo sendo jogado ao mar da cabine vizinha à sua. E o pior: os registros do navio mostram que ninguém se hospedara ao seu lado e que a lista de passageiros está completa. Abalada emocionalmente e desacreditada por todos, Lo Blacklock precisa encarar a possibilidade de que talvez tenha cometido um terrível engano. Ou encontrar qualquer prova de que foi testemunha de um crime e de que há um assassino entre as cabines e salões luxuosos e os passageiros indiferentes do AuroraBoreal.

Laura Blacklock é uma jornalista de turismo que acaba de receber uma excelente oportunidade na carreira, embarcar no Aurora Boreal, um cruzeiro de luxo, com apenas 10 cabines em sua viagem inaugural, acompanhada de outros jornalistas, fotógrafos e pessoas da alta sociedade.

Mas poucos dias antes do embarque, Lo – Laura – acaba sofrendo um assalto no seu apartamento e, com o psicológico totalmente ela começa essa viagem. Tudo corria quase bem, até Lo ser acordada por um barulho na cabine ao lado da sua, como se algo tivesse caído no mar. Assustada, vai para a varanda da sua cabine e avista um corpo no mar, bem como sangue na varanda ao lado.

O livro narrado em primeira pessoa, com uma trama envolvente, fazia tempo que eu eu não me prendia tanto em um livro, apesar do começo parecer arrastado, a história engrena e você, assim como a Lo começa a duvidar de tudo e todos à bordo.

Por se passar no navio, pelas crises de pânico da personagem, achei o livro totalmente claustrofóbico, com um final não tão grandioso quando merecia ser. Mas mesmo assim é um ótimo livro!

Dois livros e um filme

Todo diaEu me deparei três vezes com a mesma história sem querer. Mas eu vou explicar melhor isso. Eu li o livro Todo Dia, da Editora Record no ano passado, a sinopse do livro é a seguinte: Toda manhã, A acorda em um corpo diferente, em uma vida diferente. Não há qualquer aviso sobre quem será ou onde estará em seguida. De menina a menino, rebelde a certinho, tímido a popular, saudável a doente; A precisa se adaptar.

Ele já se acostumou com isso e até criou algumas regras para si mesmo. Primeira: nunca se apegar; segunda: jamais interferir. E tudo corre bem… até que A desperta no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon.

A partir desse momento, as regras pelas quais tem vivido não fazem mais sentido. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer ficar; dia após dia, todo dia. Mas como esperar que uma pessoa que sempre viveu uma vida normal possa entender a realidade de A? Ou até mesmo acreditar nela? 

Enquanto lutam para se reencontrar a cada 24 horas, ambos precisam enfrentar seus próprios demônios, superar suas limitações e redefinir suas prioridades. Rhiannon conseguirá ficar com alguém que muda a cada dia? E até onde A acha justo (ou ético) interferir nas vidas de quem habita? Mas, principalmente, o amor pode mesmo vencer qualquer barreira?

Na época eu gostei bastante do livro, o autor tem uma pegada jovem, assim como o John Green, só que eu achei ele melhor. É uma boa história sem ser pretensiosa, como eu acho que acaba acontecendo nos livros do John.

Outro diaUm ano ou mais se passou, não sei se já comentei aqui, mas leio quase todos os livros pelo Kindle, tenho quase 400 livros nele e vou escolhendo pelo meu espírito. Quando comecei o Outro Dia nem liguei o nome do autor, nem mesmo a capa belíssima. Comecei a ler e me senti familiarizada com a história, que é a mesma do Todo dia, só que na visão da Rhiannon. Só que eu achei que estava lendo o mesmo livro! E comecei a ficar assustada com a minha memoria péssima, mas continuei a leitura. Só depois que entendi que eram duas obras diferentes hahahahah ufaaa!

Não sei porque foi mais recente, mas eu gostei de conhecer melhor a Rhiannon, eu não tive uma boa impressão dela no primeiro livro, mas neste eu gostei. A história segue sendo interessante, leve, mas acho que não compensa ler os livros em seguida, pode ser bem repetitivo.

Ao terminar estava comentando o livro com alguém e me perguntaram, daria um filme? Eu falei, acho que não, iria ser estranho, uma série talvez.

Ai sexta passada, queria ir ao cinema estava vendo os filmes em cartaz e me deparei com o Todo Dia eu pensei, será que é possível? Sim, era! E que mundo que eu estava que nem sabia que o livro era um best seller?

Todo-dia-poster-estrangeiroMas lá fui eu pagar absurdos 38 reais (!) para assistir. Primeiro achei a Rhiannon uma linda, uma fofa e segundo, o filme é ruim! Obviamente que mudaram partes bem importantes da história. Mostraram pouco um personagem que achei bem importante, o namorado da Rhiannon. Incluíram umas histórias que não tinham nexo ou necessidade e resumindo não gastem dinheiro para assistir, esperem chegar no Neflix,

Livro – A Luz que Perdemos

Eu ando lendo gêneros tão variados que anda difícil juntar três livros da mesma categoria para postar aqui.

Então vamos de resenha única, A Luz que Perdemos, de Jill Santopolo da Editora Arqueiro é um romance, segue a sinopse:

“Lucy e Gabe se conhecem na faculdade na manhã de 11 de setembro de 2001. No mesmo instante, dois aviões colidem com as Torres Gêmeas. Ao ver as chamas arderem em Nova York, eles decidem que querem fazer algo importante com suas vidas, algo que promova uma diferença no mundo.

Quando se veem de novo, um ano depois, parece um encontro predestinado. Só que Gabe é enviado ao Oriente Médio como fotojornalista e Lucy decide investir em sua carreira em Nova York.

Nos treze anos que se seguem, o caminho dos dois se cruza e se afasta muitas vezes, numa odisseia de sonhos, desejo, ciúme, traição e, acima de tudo, amor. Lucy começa um relacionamento com o lindo e confiável Darren, enquanto Gabe viaja o mundo. Mesmo separados pela distância, eles jamais deixam o coração um do outro.

Ao longo dessa jornada emocional, Lucy começa a se fazer perguntas fundamentais sobre destino e livre-arbítrio: será que foi o destino que os uniu? E, agora, é por escolha própria que eles estão separados?” 

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Vi algumas comparações deste livro com outros dois que gostei bastante, o Como Eu Era Antes de Você e Um Dia, eu não concordo com o primeiro, porque a Louisa  Clark e o Willian Traynor são apaixonantes! Mas assim como no livro do Um Dia, os personagens deste livro me irritaram um pouco, já explico o motivo.
Apesar de ser uma “história de amor” acredito, que principalmente, seja uma narrativa sobre: lidar com as suas escolhas e consequências. Então, o Gabe é a pessoa decide o seu caminho e a Lucy lida com as consequências deste relacionamento.
No começo eu achei o Gabe extremamente egoísta, egocêntrico, mas no decorrer da história também não concordei com as atitudes da Lucy. No meio desse mar de sentimentos há o Derren, o marido apaixonado e compreensivo, mas que também tem seus momentos ruins.
A narrativa é bem construída, o livro é muito bem escrito, eu achei que ia chorar horrores, mas acabei tendo um sentimento de que não li sobre romance maravilhoso que não pode ser vivido, como a sinopse mesmo conta. Li sobre pessoas que não abriram mão de situações que poderiam ser mudadas com honestidade e coragem.
Acho o fim romantizar o sofrimento, achar a ideia do “Nem sempre nós ficamos com o amor da nossa vida”, louvável. Eu acredito que todo mundo, tem sim que ficar com o amor da sua vida. Se você não ama uma pessoa o mesmo tanto que ama a outra, peloamordedeus fiquem sozinhos hahahhahaha não envolvam terceiros, filhos (a Lucy tem tipo milhares de filhos durante o livro, eu perdi a conta hahahaha) nos seus problemas. Isso só causa sofrimento, isso é egoísmo. É preciso deixar ir, supere, faça terapia, mas não faça os outros de trouxa hahahaha
Para finalizar, eu achei injusto a forma que acabou o livro. Não o acontecimento final em si, porque isso já dá pra prever logo no início, conforme a história é contada. Gostaria de saber como os outros personagens também foram afetados. Enfim, talvez em uma TPM brava eu teria me emocionado, talvez eu recomende pra quer quer sofrer um pouco, mas já adianto que não um livro que amei.
Eu pareci revoltada nessa resenha, né? hahahahhaha desculpe aí, apesar de não parecer tô bem tranquila nesta sexta-feira fria ❤ 

Jantar Secreto – Raphael Montes

Eu prefiro escrever resenhas de dois ou mais livros, mas no caso da obra do Raphael Montes, eu quis dedicar um post exclusivo.

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Primeiro que entrei em uma questão bem reflexiva, quando somos alfabetizados, os autores nacionais são praticamente unânimes na nossa infância. Qual criança não teve uma coleção de Gibis do Mauricio de Sousa? Nunca se aventurou com O Menino Maluquinho? E quando que esse interesse pela literatura nacional é perdido?

Eu tenho cerca de 350 livros no meu Kindle, desse número nem 10% é composto por autores nacionais, o que eu acho de uma tristeza profunda, por causa disso ando procurando bons livros brasileiros (e aceito sugestões!)

Há tempos o livro do Raphael me chama atenção, a capa é bem interessante e a sinopse é a seguinte, Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.

Primeiro eu gostaria de fazer um alerta, não é um livro para estômagos fracos.

É um livro que me chocou e me prendeu, os relatos de preparo dos corpos, da carne e outras coisas (sem spoiler) são bem detalhados, tão bem a ponto de eu querer pular umas linhas.

Mas voltando pro primeiro contexto, uma coisa que eu acho que o autor peca é o quão clichê todos os personagens são. Isso me incomodou muito! Achei tão raso, classificar um homem obeso como gordo nerd, um gay ser promíscuo, o bonitão ser escroto e o pobre ser batalhador.  Ainda tem a Cora, uma garota de programa linda e culta. Mas apesar disso a história se desenrola bem.

Confesso que comecei a desconfiar do final na metade do livro, mas ainda sim foi uma boa surpresa. Tudo me parece bem surreal, mas não vou entrar nesse mérito, já que é uma ficção.

Se você quer sugestão de um triller nacional, recomendo O Jantar Secreto, mas saiba que você pode ter vontade de pular o jantar algumas vezes.

 

Dois livros (quase) bons + um ótimo!

Sabe decepção literária? Eu sofro às vezes! Fico mal quando o livro começa maravilhoso e no meio do caminho desanda e isso aconteceu duas vezes seguidas na última semana.

downloadBem Atrás de Você de Lisa Gardner – Editora Gutenberg o enredo conta que após uma tragédia que o separou por oito anos de sua irmã mais nova, Sharlah, o jovem Telly ressurge como o principal suspeito de uma onda de assassinatos. Só uma pessoa é capaz de desenhar o perfil do criminoso: o hábil ex-agente do FBI Pierce Quincy, que é convocado para colaborar no caso. Mas seu envolvimento como pai adotivo de Sharlah pode obscurecer sua linha de raciocínio ou levá-lo para um emaranhado de pistas desconexas, mostrando que o caso pode ir muito além do que parece ser. O enredo parece interessante, né? Mas não me prendeu nem um pouco, há reviravoltas, nem tudo é o que parece, mas mesmo assim não achei bom o suficiente, li rápido para saber o final e pronto, já quase esqueci dele.

88214_ggA Mulher Entre Nós de Sarah Pekkanen e Greer Hendricks – Companhia das Letras, primeiro vamos a sinopse, um livro de suspense que explora as complexidades do casamento e as verdades perigosas que ignoramos em nome do amor. Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, morando no apartamento de sua tia, ela não tem filhos, dinheiro ou amigos verdadeiros. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro de Vanessa se quebra. A partir de agora, sua vida irá revolver em torno de uma única obsessão: impedir esse matrimônio. Custe o que custar. Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra jovem bela e sonhadora que veio para Manhattan começar sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Em sua mente, perdura um segredo que a fez fugir de sua cidade natal e que a impede de caminhar em paz quando está sozinha. Ao conhecer Richard – bem-sucedido, protetor, o homem dos sonhos – ela finalmente começa a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de todos os males, para o resto de sua vida. Mas, de repente, ela começa a receber ligações misteriosas. Fotografias em seu quarto são movidas de lugar. O lenço que ela planejava usar em seu casamento desaparece. Alguém está perseguindo-a, alguém quer o seu mal. Mas quem? Eu simplesmente não conseguia parar de ler esse livro. Bem na metade há uma revelação de deixar qualquer um em choque! Achei uma das melhores partes do livro e confesso que ele até segue bem, até os 85% da leitura e sabe o que acontece? TUDO o que foi prometido começa ser revelado e eu achei MUITO abaixo da expectativa criada. Eu fiquei com vontade de reescrever esse final, porque poxa! Um bom livro, personagens bem construídos e um desfecho tão raso? Foi uma decepção! Mas eu recomendo esse livro para as suas próprias conclusões.

download (1)Agora vamos falar de coisa boa? Já li alguns livros da Colleen Hoover, mas não lembro de nenhum me tocar tanto como o É Assim Que Acaba, Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Achei a história do livro arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. O amor e suas decisões podem custar caro demais. O livro me tocou por ser sobre ter a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Você acaba sentindo uma empatia enorme pela Lily, eu me senti angustiada em diversas situações pelas escolhas dela e por esse misto de sentimentos que você acaba sentindo, achei essa leitura incrível, emocionante e profunda. Recomendo!

Livros que me fizeram chorar

Faz tempo que não faço um post sobre livros, mas eu continuo firme e forte na leitura em 2018.

Entrando na categoria Livros aqui do blog você pode perceber que eu amo trillers, desses com reviravoltas e de tirar o fôlego, mas romances ainda aquecem meu coração, por isso vou falar de duas obras que li recentemente e que me deixaram emocionada.

nossa-musica-dani-atkins-minha-vida-literaria-209x300Nossa músicaDani Atkins da Editora Arqueiro foi lançado na metade do ano passado e li há umas duas semanas, a história envolve basicamente quatro pessoas: Ally, Charlotte, David e Joe.  Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam. Os capítulos são intercala dos fatos passados com momentos presentes nas visões de Ally e Charllotte, eu gostei muito desta estrutura porque você acaba conhecendo bem as duas.

Por mais que, inevitavelmente, você acabe gostando mais da Ally, neste artifício narrativo da Dani, você acaba pelo menos compreendendo a Charllote. Eu não achei o livro imprevisível, porém achei os fatos finais extremamente tocantes, antes do desfecho eu fechei o livro e passei uns bons minutos chorando, quando voltei para ler o final, achei algo tão raso, tão infantil que não me agradou! Sabe final de novela ruim? É o que acontece com este livro, que é 98% genial, bem escrito e inteligente, por isso eu esperava um término a altura. Vale lembrar que a lição passada pelo livro é válida e me fez refletir sobre momentos da vida, mas a Dani Atkins me decepcionou, da autora eu indico A Curva no Tempo, esse sim 100% maravilhoso.

eusemvoce_capaweb.jpg.200x300_q85_upscaleEu sem Você, Kelly Rimmer da Editora Arqueiro,  Há um ano, conheci o amor da minha vida. Para duas pessoas que não acreditavam em amor à primeira vista, até que Lilah e eu chegamos bem perto de dizer que isso aconteceu conosco. Eu tinha um bom emprego em uma agência de publicidade e não fazia outra coisa além de trabalhar. Era incapaz de tomar decisões sobre meu futuro e minha casa inacabada e não sabia aproveitar a vida. Até conhecer Lilah.  Lilah MacDonald era uma advogada ambientalista linda e decidida – e, para minha surpresa, detestava usar sapatos. Era uma pessoa tão maravilhosa que é até difícil descrevê-la. Nosso relacionamento não poderia ser mais improvável, mas me transformou profundamente. Comecei a enxergar as coisas de outra forma e a redescobrir antigas paixões. Lilah me ensinou a viver outra vez e a aproveitar ao máximo tudo o que a vida tem a oferecer.  Ela me proporcionou momentos incríveis, mas também manteve em segredo algo que partiu meu coração. Ainda assim, se há uma coisa que aprendi com Lilah é que o amor pode curar qualquer ferida.  Meu nome é Callum Roberts e esta é a nossa história.

Esse livro me cativou já nas primeiras páginas, achei os personagens Lilah e o Callum bem construídos, você consegue imaginar e desenhar bem cada um deles, mas desde o início você percebe que existe algo errado com Lilah, não vou dar nenhum tipo de spoiler, mas isso é o que norteia todo o rumo da história. O que eu adianto é que é algo tão emocionante e transformador que tem a capacidade de ser tão profundo a ponto de nos fazer repensar atitudes e se colocar no lugar da personagem.

A narrativa é simples, feita pelo Callum e com trechos do dicionário de Lilah, sem grandes acontecimentos ou reviravoltas a história é tocante sem ser apelativa.

O desfecho é de partir o coração, chorei alguns litros, me recompus fui contar a história para o meu marido e chorei novamente. Vale a leitura!