Dois livros e alguns podcasts

Saudade de indicar livros por aqui ❤

Tive um lesão na córnea e fiquei uns tempos evitando celular, computador, TV, Kindle e tudo mais, então dei uma diminuída nas leituras, me apeguei aos podcasts e vim indicar os dois aqui.

Um Lugar Bem Longe Daqui

Por anos, boatos sobre Kya Clark, a “Menina do Brejo”, assombraram Barkley Cove, uma calma cidade costeira da Carolina do Norte. Ela, no entanto, não é o que todos dizem. Sensata e inteligente, Kya sobreviveu por anos sozinha no pântano que chama de lar, tendo as gaivotas como amigas e a areia como professora. Abandonada pela mãe, que não conseguiu suportar o marido abusivo e alcoólatra, e depois pelos irmãos, a menina viveu algum tempo na companhia negligente e por vezes brutal do pai, que acabou também por deixá-la.

Anos depois, quando dois jovens da cidade ficam intrigados com sua beleza selvagem, Kya se permite experimentar uma nova vida — até que o impensável acontece e um deles é encontrado morto.

Ao mesmo tempo uma ode à natureza, um emocionante romance de formação e uma surpreendente história de mistério, Um lugar bem longe daqui relembra que somos moldados pela criança que fomos um dia e que estamos todos sujeitos à beleza e à violência dos segredos que a natureza guarda.

Na Bienal Rio ele estava sendo anunciado como o livro mais emocionante do ano. Não sei se posso afirmar isso, mas eu senti o brejo, vivi a solidão da Kya e suas descobertas.

A obra se passa entre os anos 60 e 70, mas aborda temas como o abandono parental, o preconceito racial e a pobreza, bem conectada a assuntos contemporâneos. 

A trama tem um reviravolta e o final é surpreendente, mas nem precisava. Um Lugar Bem Longe Daqui já tinha me conquistado logo no início.

Nove Desconhecidos

Nove pessoas se reúnem em um spa bem distante da cidade. A quilômetros da civilização, sem carro nem celulares, elas não têm qualquer contato com o mundo exterior. Apenas tempo para pensarem em si mesmas e se conhecerem melhor. Algumas estão lá para perder peso, algumas para tentar recomeçar a vida, outras por razões inconfessáveis até para elas mesmas. No meio de tanto luxo e mimo, sucos e meditação, todos sabem que vão precisar se esforçar nos próximos dez dias. Mas ninguém é capaz de imaginar o tamanho do desafio.

Frances Welty, escritora de romances best-sellers, chega à Tranquillum House com um problema nas costas, um coração partido e um corte no dedo extremamente dolorido. Ela logo fica intrigada com os colegas de retiro — a maioria não parece precisar de fato de um spa. Mas quem mais a deixa curiosa é a diretora. Será que ela tem as respostas que Frances nem sabia que estava procurando? Será que Frances deve colocar suas dúvidas de lado e mergulhar em tudo que o spa tem a oferecer? Ou é melhor fugir enquanto é tempo?

Não demora muito para que todos os hóspedes estejam se fazendo esta pergunta.

O que a Liane escrever eu vou ler e defender sempre, ponto.

Mas esse livro é totalmente diferente dos outros dela e de tudo que eu li. Casa capítulo é um das 9 pessoas que narra, isso já é bem incrível!

O livro tem partes hilárias, comocionantes e cada personagem é muito bem construído, como tudo que ela escreve.

Eu amei do começo ao fim. Leiam 🙂

PODCASTS

Esse gênero demorou pra me conquistar, não sabia nem por onde começar, mas a tive indicações maravilhosas, da minha amiga (também maravilhosa) Ligia e compartilho com vocês meus preferidos:

  • Café da Manhã – Um tema por dia, menos de meia hora e um ótimo jeito de começar o dia informado. Amo a Magê Flores ❤
  • Mamilos – O melhor podcast, melhores temas, melhores convidados. O Mamilos é nada menos que essencial na vida das pessoas, aliás ele muda a vida;
  • Foro de Teresina – Necessário para viver 2019;
  • Projeto Piloto – Eu já admirava a Thais Farage e a Lu Ferreira, o PP veio para coroar isso. Temas variados, bom humor e boa informação;
  • É nóia minha? – Divertidíssimo, a Camila Fremder é ótima, os assuntos são leves, é uma hora que nem vejo passar;
  • Debates inúteis – O nome já diz tudo e eu dou risada alto escutando esse trio

Espero que gostem das indicações!

Restaurante, livros e otras cositas más…

Oi, sumi, mas voltei.

Meu sumiço foi 100% causado pela Bienal Rio. Foi culpa da correria prévia, culpa dos 8 dias que passei na cidade maravilhosa e culpa minha também, claro.

A Bienal Rio foi super cansativa, não vi quase nada da programação que não eram do meu cliente, mas fiz questão de ver uma das mesas de debate, era sobre livros do gênero thrillers policiais. Sabe quem estava lá? O Raphael Montes, autor de alguns livros que resenhei aqui no blog.

Inclusive antes de embarcar terminei um lançamento dele Uma Mulher no Escuro.

Eu queria conhecer ele, porque além de ser um grande autor, gostaria de ver se há algum resquício de psicopatia nele. PORQUE NÃO É POSSÍVEL ESCREVER LIVROS TÃO VISCERAIS SEM SER LOUCO.

Mas me deparei um Raphael de fala calma, tranquilo e pasmem, até engraçado! Enfim, quase me decepcionei, mas fiquei ainda mais admirada.

Sobre o lançamento, assim como os outros que li, fiquei sem ar, nauseada com a história da Vic.

Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.
Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?

Livro tenso e o que me chocou mais nem foi descobrir quem era, e sim, o motivo que levou a tudo isso, é avassalador, juro!

Leiam, é sempre bom exaltar autores nacionais, o Raphael é um grande nome da literatura brasileira.

Já que eu voltei, vamos falar de comida também?

BBQ Farm

O melhor restaurante que conheci nos últimos tempos fica no número 265 da Rua dos Pinheiros, lugar que eu gostaria de morar, aliás.

O nome do restaurante não deixa dúvidas, a especialidade é carne. Servida em diversos cortes, agrada todos os tipos de carnívoros.

O ambiente é legal, nada caricato ou temático, achei aconchegante até. O atendimento foi muito bom do começo ao fim, mas vamos ao que interessa?

A escolha do meu marido foi um Magret de Pato Defumado. Eu nem sou a maior fã de pato, mas esse estava incrível! Extremamente macio, defumado na medida certa e o tempero uma delícia. Juro, para quem gosta é imperdível! Eu não lembro o preço, mas era mais de 70 reais.

Eu fui do carro chefe de casa, Miolo da Fraldinha Black Angus pedi ao ponto e a carne apenas desmanchava. Veio acompanhado de um chimichurri. Este corte custa 67 reais. O ponto veio perfeito e a carne muito macia e saborosa, uma das melhores que comi ultimamente.

Os acompanhamentos são a parte, pedimos algo que eu sempre tive lombrigas pra provar, Aligot que é um purê de batata com infusão de queijos Gruyère e Minas Padrão, a porção, que tamanho médio custa 24 reais e eu comeria quilos disso! hahahahahah juro! Maravilhosa

E pedimos fritas temperadas porque batata nunca é demais! E também estavam ótimas.

Ficamos tão tão empolgados com tudo que comemos que até pedimos sobremesa, coisa que raramente fazemos. O Cheeeseke de Doce de Leite também não decepcionou!

Tudo isso foi acompanhado de um vinho honesto na casa dos 80 reais. Enfim, a conta sai alta, mas vale cada centavo! Vamos voltar com certeza.

Talvez eu ainda suma, porque estou cheia dos eventos esse mês, mas isso é assunto pra outro post ❤

Dois livros ótimos!

“Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro…” vamos começar clichê porque SP está gélida no momento.

O primeiro livro é A Paciente Silenciosa ele conta a história da pintora de sucesso, Alicia Berenson que matou seu marido com cinco tiros. E nunca mais disse uma palavra. O psicoterapeuta forense Theo Faber está convencido de que é capaz de tratar Alicia, depois de tantos outros falharem.

Quando vi a sinopse logo quis esse livro, tem tudo que eu amo, investigação, mistério, reviravoltas. A narração do livro é dividida entre o protagonista, Theo, e as memórias de Alicia Berenson, registradas em seu diário e o dia-dia dos dois no hospital psiquiátrico.

A escrita do Alex Michaelides é muito boa, e consegue passar todas as emoções da história. O desvendar do mistério é realmente é muito bem executado neste livro. Eu realmente fiquei envolvida no mistério e queria de verdade o motivo que levou Alicia Berenson a matar o marido.

Em cada página eu ficava mais grudada no livro e interessada no enredo, descobri o desfecho um pouco antes do final, que é surpreendente e inteligente. Um ótimo livro!

Eu sempre indico livros pra todo mundo, mas é raro alguém me dar alguma indicação de leitura. Vi um amigo meu postando o trailer do O Pintassilgo e falando que era um dos melhores livros que tinha lido nos últimos tempos. Logo eu corri para procurar. E não me arrependi.

O livro foi lançado em 2014, ganhador do prêmio Pulitzer de literatura e já já tem um filme baseado na história estreando no cinema mais próximo de você.

O Pintassilgo é um livro enorme. Com quase 800 páginas e isso nunca foi um problema pra mim, pelo contrário. Mas é um livro denso, daqueles que a gente mergulha de corpo e alma. No Pintassilgo não só conhecemos Theo Decker, nós vivemos a vida dele.

O livro narra a história de Theodore Decker que aos 13 anos perdeu sua mãe em um atentado terrorista enquanto visitavam o Metropolitan Museum de Nova Iorque. Theo sai do museu carregando a pintura que dá nome ao livro, Pintassilgo, de Carel Fabritius.

A cena adolescente acordando em meio a escombros, o seu atordoamento, o medo é brilhantemente descrita. Foi o momento que tive certeza que estava lendo um livro fantástico!

A explosão, a culpa indevida pela morte da mãe e a obsessão pelo quadro marcam toda a trajetória do protagonista. Theo não tem uma vida fácil, depois da morte da mãe, passa um tempo vivendo com a família rica de um amigo e depois, com o reaparecimento de seu pai, se muda para Las Vegas.

Os anos em Vegas são passados com álcool, drogas e pequenos crimes sempre acompanhado de seu amigo Boris . O mergulho dele nas drogas e como ele passa os dias consumido pelo medo e pelo trauma e como ele se torna apenas um espectador da própria vida é triste, bem triste.

Theo volta a Nova York ainda adolescente e segue a vida como fazia em Las Vegas. Morando com o Hobie, um antiquário que conhece logo depois de sobreviver a explosão, Theo se interessa e aprendero oficio de restaurar móveis. A vida se estabiliza um pouco e nosso narrador nos mostra que continua o mesmo, incapaz de viver sem o auxilio de drogas e álcool e cometendo crimes, nem tão pequenos assim. É nesse momento que a livro ganha momentos (até surreais) de ação, é também quando o Pintassilgo e o seu roubo voltam a ser tema central da narrativa.

Se eu já tinha achado que o roubo do quadro beirava ao inacreditável, o que acontece com Theo quando reencontra Boris até o final do livro é surreal, mas juro que isso não prejudica de forma alguma a leitura, pelo contrario. Nesse momento já estava tão envolvida com Theo e sua vida meio desgraçada e deprimida que eu queria um final apenas, “foram felizes para sempre hahahaha”

O final do livro, sem spoiler, é uma analise sobre o que representa a arte e como ela afeta cada um de um forma diferente. Esse desfecho foge do tom do livro, mas eu achei um ótimo final.

Li a ultima página fui procurar uma imagem da pintura, assim como Theo fiquei admirando o pequeno pássaro em seus mínimos detalhes, deu vontade de ir ao Mauritshuis na Holanda só para vê-la de perto.

Um filme, um livro e uma série

e todos maravilhosos!

Semana passada fui ao cinema, tipo decidi em 5 minutos, olhei a programação no Espaço Itaú (porque quando você é adulta e não é estudante é necessário usar os benefícios do seu banco para não pagar uma fortuna do ingresso do cinema!) vi um filme com o nome ruim, mas escolhi por ser argentino e eu sou fã do cinema dos hermanos (da comida, dos vinhos, dos helados também <3). Eu não li exatamente nada da sinopse e acabou sendo dos melhores filmes que já vi!

A Grande Dama do Cinema conta a história um improvável grupo formado por uma antiga estrela do cinema mundial, um (quase) ator e (quase pintor) sem grande sucesso e marido da personagem anterior. Um roteirista frustrado e um diretor peculiar que fazem de tudo para preservar o universo lúdico e surreal que criaram dentro de uma clássica e decadente mansão. Até que dois jovens chegam ao local e ameaçam botar tudo a perder.

O filme é um humor dramático e acho que eu nunca ri tanto. São sátiras super inteligentes, situações surreais. Os 4 atores principais são incríveis. Eu sai da sala do cinema chorando de rir, literalmente. Eu sai tão leve, tão feliz e gostaria de ver ele novamente o mais rápido possível. Espero que vocês assistam e também saiam com dor no abdômen de tanto rir também!

Mate o Próximo do Frederico Axat é um livro que eu terminei e pensei PORRA QUE LIVRO BOM! É um dos melhores suspenses que já li!!!

A sinopse é a seguinte:

Ted McKay tem tudo: uma mulher linda, duas filhas, um alto salário. Após ser diagnosticado com um tumor cerebral, ele toma a drástica decisão de tirar a própria vida. Quando está prestes a apertar o gatilho, Ted é interrompido pelo toque insistente da campainha. E, ao olhar para sua mesa no escritório, encontra o seguinte bilhete: “Abra a porta. É sua última saída”.

Intrigado, Ted deixa a arma de lado e abre a porta. E então mergulha em um pesadelo arrepiante, que vai fazê-lo duvidar da própria sanidade. À sua frente está um desconhecido chamado Justin Lynch, que não apenas sabe o que Ted estava prestes a cometer como lhe faz uma proposta difícil de recusar, um plano para evitar que sua família sofra as consequências devastadoras de um suicídio.

Ted aceita a proposta do estranho homem, sem imaginar que o bilhete em seu escritório e a oferta de Lynch são apenas o começo de um jogo macabro de manipulações. Alguém plantou um caminho de migalhas, que Ted vai recolher. Alguém que o conhece melhor que ninguém, que o fará duvidar de suas próprias motivações e também das pessoas que o cercam.

Eu tinha esse livro há tempos no Kindle, mas o título, a capa, o autor desconhecido me davam uma certa preguiça. Um dia estava no Skoob, uma rede social de resenhas literárias, e vi que a nota do Mate o Próximo era alta e as críticas muito boas. Por que não dar uma chance?

Eu imagino eu autor escrevendo cada parte do livro e rindo da nossa cara. Porque NADA é o que parece ser da primeira até a última página. A mente humana é uma caixa de surpresas e é isso que move as inúmeras reviravoltas desse suspense psicológico. Eu queria dar esse livro para todo mundo para ter a certeza que vocês vão ler! Sério, é muito, muito, muito bom, leiam, por favor!!!

Uma coisa em comum dessas três indicações é o título ruim, Disque Amiga para Matar é o próprio exemplo de tradução de títulos merda. A série é uma produção da Netflix e conta a história de uma grande amizade que surge entre Judy (Linda Cardellini) e Jen (Christina Applegate), que ficou viúva depois o atropelamento do marido, os culpados pelo acidente fugiram e ele acabou morrendo.

Os episódios são curtinhos, menos de meia hora. As personagens são maravilhosas, empoderadas e divertidas! Assim que termina o primeiro episódio você já fica ABISMADO. No decorrer da história elas descobrem muito mais do que pensavam saber sobre as suas vidas. Eu fiquei apaixonada pelas duas, queria ser amiga da Judy e da Jen e beber vinho com elas!

Vale muito a pena, dá para assistir uns três episódios sem nem perceber!

Livros aleatórios

Depois da biografia da Michelle Obama achei que ia passar por uma grande ressaca literária, mas ainda bem não, porém li uns livros totalmente aleatórios, teve romance e suspense.

O primeiro foi escolhido porque eu queria um livro que me fizesse chorar. Sabe aqueles romances trágicos, era isso que eu queria. Por isso li O Amor Maior do Mundo que conta a história de Ella Beene encontrou a felicidade há três anos, quando parou ao acaso na pequena Elbow e conheceu Joe, que cuidava sozinho dos filhos. Logo os dois estavam casados e a vida parecia perfeita. Até que um dia Joe desobedeceu à sua própria regra – “jamais dar as costas para o mar” – e morreu afogado enquanto tirava fotos nas rochas.


Ella sempre acreditou que Paige, a ex-mulher de Joe, simplesmente abandonara o marido e os filhos. Mas, para sua surpresa, Paige aparece no funeral querendo as crianças de volta. É quando Ella percebe que Joe não lhe contou tudo sobre seu primeiro casamento.


Trilhando caminhos diferentes, as duas mulheres se encontram na mesma encruzilhada, disputando a guarda das crianças que amam e buscando respostas para seus conflitos emocionais.


Apesar do O Maior Amor do Mundo ser mergulho no complexo universo da maternidade com todas suas dores e delícias. Sofri pela Ella, sofri pela Paige. Apesar do sofrimento, não chorei e não é um livro espetacular, mas vale pra passar o tempo.

Eu já li outro livro da Sophie Hannah, fiz a resenha aqui e falei que o final é surreal. No livro Um Certa Crueldade o final não é absurdo, mas é tão sem graça para um história tão boa.


Cinco palavras-chave percorrem o livro ligando as diversas camadas e tramas paralelas da história. Tão importante quanto solucioná-lo é investigar as características psicológicas e emocionais de seus personagens. No caso de Uma Certa Crueldade, a premissa é levada, de fato, para o divã. É no consultório de uma hipnoterapeuta que as histórias de Amber Hewerdine e da policial Charlie se cruzam.

A primeira perdeu sua melhor amiga num incêndio e, desde então, sofre de insônia e ansiedade; já Charlie deseja parar de fumar. Num esbarrão na sala de espera, Amber lê, por acaso, no caderno da investigadora: “Gentil, Cruel, Meio que Cruel”. Pouco depois, sob hipnose, se ouve repetindo essas mesmas palavras aparentemente sem sentido, mas cruciais para a polícia na investigação de dois incêndios criminosos.

Eu amei esse livro, sabe aquele enredo que te faz desconfiar de todo mundo, depois te dá certeza de uma coisa que não é? Então, esse livro tinha um potencial IMENSO, mas os motivos para os acontecimentos são tão frívolos que deu até um desânimo. Se você quiser um livro que seja 90% ótimo recomendo hahahahhahaah

Livros – Gisele e Michelle

Já comentei em algum lugar deste blog que não sou fã de biografias, mas amei o livro da Shonda Rhimes e fui vencida pela curiosidade e recentemente li as biografias da Gisele Bündchen – Aprendizados e da Michelle Obama – Minha História.

Eu não vou comparar os livros. Ambos são obras de mulheres inteligentes, maravilhosas e que merecem ser exaltadas! (aliás essa dica de não comparar e sim enaltecer vale para mulheres reais também!)

Mas vamos as resenhas, li primeiro o da Gise, é assim que ela é chamada pelos mais próximos e é assim que você acaba se sentindo lendo o livro dela. Vale lembrar que ele é daquele gênero auto-biografia-autoajuda que não existe, mas cada vez é mais comum.

Apesar de compartilhar fotos da infância, contar sua história, expor franquezas e dividir relatos e situações familiares, esse não é o ponto central do livro, e sim, o que ela aprendeu com cada fase da vida. Vida, aliás é o nome da cachorrinha dela em que ela dedica um dos capítulos mais emocionantes do livro.


A Gisele nos mostra no livro que ela não chegou onde está por pura sorte, a carreira dela é resultado de muito trabalho, disciplina e sempre sendo uma profissional exemplar. Mas mas no livro ela passa, principalmente a filosofia e seu estilo de vida. Ela tem uma enorme consciência corporal, uma percepção admirável do Universo e da natureza. Sem falar do respeito, na empatia e amor ao próximo que ela nos passa, e que faz que a gente realmente entenda toda a luz que ela emana naturalmente.

Em Aprendizados ainda é possível encontramos as perguntas que a moveram e movem diariamente. E pode acreditar, são perguntas que podemos encaixar na nossa vida. Confesso que lendo o livro também me senti meio mal, tipo ela é a Gisele Bündchen e ainda pilota helicópteros, tem uma rotina perfeita e eu aqui toda malacaba? Enfim, dá para se livrar do sentimento de culpa e incluir diversas coisas da Rotina Gisele, na Rotina Mulher/normal/quetrabalha/estuda/malha/cuidadacasa/ebebevinho. Recomendo por ser uma leitura leve e ainda tentar trazer boas práticas para nossa vida.

Fora ser esposa do Barak Obama, o que você sabe sobre a Michelle? Eu só sabia que era uma mulher linda e simpática. E isso era tudo.

Em 2009 eu estava de férias do estágio, era um dia estranhamente frio pra janeiro e eu estava na sala da casa dos meus pais acompanhando ao vivo a posse do Obama. Minha mãe me questionou porque eu estava assistindo aquilo e lembro de responder “porque é um acontecimento histórico e todo mundo vai se lembrar disso” ela me mandou continuar assistir no quarto e lembro de me emocionar com o discurso do Obama.

Em Minha História, Michelle nos conta os bastidores desse dia e muito mais. Ela nos conta a construção dessa mulher maravilhosa que ela é. Neste livro a gente conhece a Michelle Robinson ainda criança e toda a sua família, a relação próxima com o irmão e com os pais.

O pai dela é encantador mesmo com todas as dificuldades por causa de esclerose múltipla e nos emociona (e MUITO) do começo ao fim. A mãe dela é tão sábia e tão leve ao mesmo tempo, há diversas passagens dela que me marcaram em uma ela diz aos filhos eu não estão criando crianças, e sim, adultos para o mundo. Sempre ouvi isso da minha mãe também e nunca entendi muito bem, mas ao chegar na fase adulta me dei conta. Há pais que criam os filhos apenas para eles, para serem apegados, para nunca cortarem o cordão umbilical e serem as únicas pessoas na vida do filho. Há pais que criam os filhos para serem boas pessoas, bons cidadãos, bons profissionais para, futuramente, terem sua própria família. E essa é a grande diferença de criar filhos para o mundo. Agradeço meus pais e obrigada mãe da Miche.

Conheci também a Michelle estudante de Princeton e Harvard e vi que estudar pode sim, mudar uma vida. É mostrado um preconceito (quase) velado nas universidades mais famosas do mundo e majoritariamente brancas. As amizades em todos os períodos, a dor de perder a melhor amiga, nessa parte chorei também.

Conhecemos a ótima, bem sucedida e não tão feliz advogada, que em verão espera seu estagiário temporário com um nome estranho e uma ótima fama. Eu consegui ver o jovem Barack pelos olhos da Michelle. Tive um vislumbre daquele homem mal vestido, inteligente e com um sorriso charmoso. Nos trechos que eles se apaixonam eu me apaixonei junto. Como não se apaixonar por eles? Inteligentes, promissores e lindos.

Barack ainda era um estudante de Harvard, também era líder de uma comunidade pobre de Chicago e também era um idealizador. Michelle conta que um dia ela acordou no meio da noite e ele estava olhando pro teto e ela questionou o que ele estava pensando, ele respondeu algo como, na desigualdade social. E assim ele era. Miche também dizia que olhava pra ele e pensava, “esse homem nunca será rico“. Sem grandes ambições para o futuro, Obama gastava seu salário inteiro com livros. E como não se apaixonar por eles?

Um namoro à distância, a relação dos dois com a família, um amor crescente. Barack seguia sem acreditar na instituição casamento, por ver a mãe passar por dois casamentos fracassados, Obama nunca teve esse ideal e uma das partes mais cômicas é o pedido de casamento que ele faz à Michelle.

Depois vem a política, um casamento à distância, a dificuldade de engravidar, um abordo espontâneo, a rotina massacrante de ser mãe, trabalhar e estar a maior parte do tempo sozinha.

Do Senado à Presidência, de Chicago até a Casa Branca. Há muitas curiosidades sobre o dia-dia presidencial e todo seu esquema de segurança. A rotina da filhas e toda a responsabilidade de ser a primeira dama dos EUA.

A Michelle me impressionou pela inteligência, pela força e pela sensibilidade. O livro termina com a surreal eleição do Trump e com a sensação que não é só por aqui que as coisas estão difíceis.

Se um dia eu pudesse escolher alguém para ser amiga no mundo, a família Obama estaria no meu Top 3. Apenas leiam esse livro ❤

Tetralogia Elena Ferrante (e porque ela é essencial na sua vida)

Janeiro foi tão longo que deu para ler os quatro livros da Série Napolitana, da autora Elena Ferrante. 

Fui bastante relutante em começar a tetralogia. Já contei aqui que eu comecei umas duas vezes e desisti. O primeiro livro Amiga Genial começa com o sumiço de Lila Cerullo que desapareceu sem deixar vestígios. Lenu, ou Elena Greco sabe que desaparecer sempre foi um desejo da amiga, a ideia dela era se dissolver, como se nunca tivesse existido.

Para se agarrar a memória da amiga, e de si mesma, Elena escreve e descreve lindamente tudo o que ambas viveram. Da infância pobre em um dos bairros mais perigosos de Nápoles até a velhice.

Mas Gabi, como uma história de uma amizade rendeu quatro livros e milhões de livros vendidos no mundo?

Pode parecer um romance raso sobre as experiências e vivências de duas mulheres durante a vida, mas a narrativa criada pela autora vai muito além do que eu posso te contar, ou pela sinopse dos livros. A história começa na segunda metade do século XX, em uma Itália devastada pós-guerra, é nesse contexto que Elena Ferrante nos apresenta os personagens, não apenas as famílias Cerullo e Greco, mas também os Solara, os Caracci, os Airota, os Sarratore. A escrita de Ferrante é capaz de inserir uma infinidade de personagens ao longo dos quatro livros, com naturalidade, mesmo em dinâmicas complexas, sem nunca perder o foco em Lila e Lenu.

Sinceramente, eu não sei como te convencer, como essa série de livros pode ser essencial na sua vida. Mas acredite em mim, ELA É! hahahahah 

Apesar de se passar na Itália, para mim ela foi um panorama de assuntos e movimentos importantíssimos da década de 50 até os anos 2000 no mundo todo. Quando eu falo isso, quero dizer que, durante os livros nos deparamos como:

  • O estudo não era obrigatório, pelo contrário, era um privilégio poder continuar na escola, se fosse mulher então, algo raríssimo (a Lenu conclui a graduação, já a Lila mal termina o primário);
  • Violência contra a mulher era não só normal, mas algo bem visto pela sociedade para “endireitar” a esposa, filha, etc, etc;
  • Aliás a violência permeia a história inteira, do começo ao fim;
  • Casamento precoce? Normal! A Lila casa aos 16 anos;
  • Virgindade? Deveria ser mantida até o casamento, na faculdade, Lenu sofre pelas escolhas que fez;
  • Divórcio? Ambas são ignoradas pela família após saírem de um casamento.

Acredito que a tetralogia é basicamente um relato completo e complexo da tentativa de Lila e Lenu, cada uma a seu modo, de se libertarem da vida miserável, da exploração e violência à qual nasceram fadadas.

Entre relatos da vida, vemos nascer o fascismo, o comunismo e o crescimento da Camorra (organização criminosa italiana). Vemos também a consciência de uma coisa linda chamado feminismo. É a transição da exploração, violência cotidianas para a independência, com todas as suas dores e delícias.

É um livro sobre privilégios também. Duas pessoas que saíram do mesmo lugar, uma com a possibilidade de estudar e a outra precisando casar para sustentar uma família. Vemos durante os livros como isso reflete na experiência de vida de cada uma, o que eu achei incrível.

Falei muito sobre o contexto dos livros e pouco da história. O que eu posso te falar é que eu não mudaria uma vírgula dos livros. É uma mistura de romance com um rico detalhamento histórico, sobretudo é uma história de muitas vidas. Me lembrou, pela complexidade, Cem Anos de Solidão, mas pode ser coisa da minha cabeça e pela quantidade de personagens.

Se você terminou esse texto pensando, AH QUERIA TANTO LER, MAS NÃO TENHO TEMPO, JÁ QUE SÃO QUATRO LIVROS, te respondo, eu também não tenho tempo. Eu também trabalho, tenho tarefas do lar, faço academia.

Todos temos tempo para o celular, certo? É só dosar essa atenção para a leitura. O maior inimigo do livro não são os dispositivos digitais de leitura, mas sim, o tempo desperdiçado diariamente com as redes sociais.

PS: Quando terminei o primeiro livro supus que era uma biografia da própria autora, já que ela é Elena, assim como a Lenu e pesquisando descobri que a identidade da autora é uma incógnita! Ninguém sabe direito quem é ela, mas fato que a pessoa Elena Ferrante não existe, é apenas um pseudônimo que ninguém sabe ao certo de quem. PS2: A HBO lançou no ano passado uma série sobre os livros QUERO ASSISTIR!